23 de Janeiro de 2011

Ilha de Faro (poente) e Ludo


No lado poente a Ilha de Faro, depois de terminar o asfalto e depois do último parque de estacionamento, estende-se uma zona habitacional pobre, de casas precárias que os invernos mais rigorosos vão ceifando das dunas. Este ano não foi excepção e já em dezembro tal aconteceu deixando suspensas sobre a rebentação ruínas cujos despojos vão sendo levados pelo mar. Depois deste aglomerado de casas as dunas voltam a ser livres e a dividir por si só o mar aberto da ria que nesta zona se vai transformando em sapal.



O pequeno mar interior que forma a ria é sempre sereno e calmo pelo facto de se encontrar abrigado pelo cordão dunar. Na maré baixa ficam a descoberto as ervas marinhas de um verde escuro e agreste.
A costa sob um céu de chumbo e assolada por um vento forte e frio. Está deserta e não fosse a cerca de madeira que protege a duna pareceria ancestral e virgem. Mas não, no verão é percorrida por inúmeros turistas e as areias estão pejadas de garrafas de plástico e de outros detritos.


Um arbusto florido de Aloe Vera. Esta planta, muito popular hoje em dia devido às suas múltiplas e apregoadas propriedades é, curiosamente, conhecida por todas as pessoas pelo seu nome cientifico embora também seja usado o termo "alóes" que contudo pouco se distancia do primeiro.



Última morada.


A zona do Ludo, com extensos sapais e lagoas, alberga um número extraordinário de aves. É, tal como outros locais na Ria Formosa, tal como a Lagoa dos Salgados e outras zonas húmidas que ainda existem um pouco por todo o Algarve, um verdadeiro santuário natural. O turismo e a pressão urbanística têm destruído estes ecossistemas com a total complacência e participação de um poder autárquico ignorante e muitas vezes corrupto que se tem mostrado incapaz de defender o mais valioso património natural dos seus concelhos.


Uma garça-branca-pequena alimentando-se junto a uma zona de drenagem onde a água corre com algum ímpeto e os peixes pequenos apanhados nos fluxos das marés são  obrigados a passar por um caudal estreito.


Em todo o território encontramos marcas deixadas por actividade humana. Com o tempo muitas não passam de vestígios de algo cuja finalidade muitas vezes apenas podemos tentar adivinhar. Mas até na mais singela transformação reside muitas vezes interesse e beleza.

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